Nunca gostei de silêncio
Apesar de ser sempre calada.
Desde pequena, as vezes me pegava sozinha em casa
O Silêncio me sufocava, mesmo que ligasse a TV, o silêncio me consumia.
Me afogava naqueles instantes sem sons (assim eu imaginava)
E então como num ato de desespero antes de me afogar, eu gritava.
Gritava sozinha
Semelhante as figuras loucas que povoam as nossas vidas.
As vezes gritava mais de uma vez, para extinguir o silêncio.
Mas então me perguntam: Como você dorme?
Com o ventilador ligado, não consigo adormecer sem aquele barulhinho do motorzinho giratório.
É ele a minha eterna canção de ninar, estando o frio que for.
Mas hoje vejo que nunca soube o que era o verdadeiro silêncio, até ontem.
Na verdade o que me incomoda no silêncio não é a falta de sons, porque isto não falta.
Há sempre um choro de criança. Um grito de mãe. Uma gargalhada ao longe. Uma briga de casal. Um passarinho da manhã.
Ou seja, há sempre o que se escutar.
O que me incomoda no meu silêncio é a minha incapacidade de conversar comigo mesma.
E tentando evitar esta conversa, eu grito.