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Hoje resolveu andar. O dia já estava caindo e a noite fria se aproximava. No jornal estava dizendo que esta seria a noite mais fria do ano.

Caminhava pela ruelas úmidas e a serração já começava a baixar. Realmente estava frio, era a primeira vez que via sua própria respiração, aquilo fez com que se sentisse mais viva.

Não havia ninguém nas ruas, todos já estavam em suas camas devidamente aquecidos e acolhidos. Mas para ela, caminhar era a melhor opção, sua cama já não era acolhedora havia tempos. Insistia, em toda noite, expulsá-la sem piedade. O travesseiro sussurrava em seu ouvido, tirava seu sono e sua paz.

Queria ir para o lugar mais frio, para o ponto mais alto da mais alta montanha, para que a noite gélida congelasse seus pensamentos, que os fizessem calar-se para sempre.

Caminhou para o mar, não era o topo de uma montanha, mas era tão frio quanto. As ondas martelavam no paredão e explodiam contra ele, cortando o silêncio daquela noite. O vento era frio e seu nariz e dedos começaram a congelar, pensou: “quem sabe mais um pouco, meus pensamentos congelam também”. Em vão. Caminhou pelo calçadão e voltou às ruelas solitárias.

A serração já estava bem forte e olhava para o chão, para enxergar o caminho. Seus passos eram os únicos, ecoavam fortemente no vazio daquela noite, no vazio que ela se tornara.

Voltou pra casa, esperou mais alguns minutos no portão, ainda com a última gota de esperança de que aquela “noite mais fria do ano” fosse capaz de congelar aqueles pensamentos aflitos e pudesse, finalmente, tornar a sua cama o local outrora confortável. Novamente, em vão, pensou: “definitivamente, esta não é a noite mais fria do ano”.

Por fim, abriu a porta para o calor da sua casa e de volta a confusão dos seus pensamentos.

Meu Silêncio

Nunca gostei de silêncio

Apesar de ser sempre calada.

Desde pequena, as vezes me pegava sozinha em casa

O Silêncio me sufocava, mesmo que ligasse a TV, o silêncio me consumia.

Me afogava naqueles instantes sem sons (assim eu imaginava)

E então como num ato de desespero antes de me afogar, eu gritava.

Gritava sozinha

Semelhante as figuras loucas que povoam as nossas vidas.

As vezes gritava mais de uma vez, para extinguir o silêncio.

Mas então me perguntam: Como você dorme?

Com o ventilador ligado, não consigo adormecer sem aquele barulhinho do motorzinho giratório.

É ele a minha eterna canção de ninar, estando o frio que for.

Mas hoje vejo que nunca soube o que era o verdadeiro silêncio, até ontem.

Na verdade o que me incomoda no silêncio não é a falta de sons, porque isto não falta.

Há sempre um choro de criança. Um grito de mãe. Uma gargalhada ao longe. Uma briga de casal. Um passarinho da manhã.

Ou seja, há sempre o que se escutar.

O que me incomoda no meu silêncio é a minha incapacidade de conversar comigo mesma.

E tentando evitar esta conversa, eu grito.

Quero

Hoje tomarei emprestadas as palavras de Drumond:

“Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.”

Carlos Drumond de Andrade

Tudo Meu!

Quero seu olhar
Quero o seu pensar
Quero ser seu suspirar
Quero tudo isso pra não deixar de acreditar
Que eu em meus sonhos posso te encontrar.

Indiferença

Hoje ela não pôde deixar de notar sua indiferença
Tantou lutar..
Mas achou melhor aceitar sua sentença

O sorriso da lua

Hoje a lua me sorriu.

Um sorriso forte e presente.

Um sorriso claro e persistente.

Um sorriso sem esperar nada em troca.

A lua me sorriu apenas por sorrir.

Um sorriso que ilumina caminhos no meio da noite.

Um sorriso que se abre para os corações apaixonados.

Fiquei a pensar e repensar de que forma retribuir este tão maravilhoso souvenir.

E depois de muito matutar, só me restou de volta sorrir.

Pesadelos

Ruim é ter pesadelos com você.
Queria poder controlar, e somente ter sonhos.
Sonhos que façam acordar com um sorriso e não com dores de cabeça.

Mas há um jeito disto acontecer, apenas apareça e diga que está tudo bem.
Acalma meu coração e minha alma e diga que ainda acredita em nós!

Arranca-me!

Arranca de mim esse vazio!
Mas como retirar o que não está presente?
Então, arranque-me esta dor!
Mas como viver sem o que justamente se falta?
Então, leva-me esta saudade!
Mas como retirar o que nunca se teve?

Aí está o grande segredo da vida:
O vazio somente existe para ser preenchido.
A saudade para ser entalhada com as lembranças.
E a dor que fica para ter a certeza de que feliz sou com o teu sorriso!

Hello world!

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